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Sábado, 28 de Junho de 2008

O fantasma da guerra ...

Hard live...

(Retirada de nat)

 

 

Pilar sabia do que José António falava ... a guerra, as ameaças, os bombardeamentos, a fome, os refugiados, as crianças com fome, sede, traumatizadas, orfãos .... nunca mais esquecera aquele ano que tinha trabalho naquela Organização Não Governamental como voluntária. Viu muita pobreza, doença, fome, o ponto a que o homem chega para conseguir o poder, a riqueza ... não importa destruir cidades, matar milhares de seres humanos, crianças ficarem mutiladas ... o que importa isso? Interessa é defender uma ideologia, ter a ânsia do poder ... os outros seres humanos são apenas números ...

Estas atitudes dos líderes, dos homens do poder enojavam Pilar. Os alimentos que conseguiam eram sempre poucos, os medicamentos eram uma raridade, ela tinha visto como o instinto de sobrevivência era capaz de transformar os homens em animais quando distribuiam a alimentação ... uma criança tinha morrido nos seus braços ... jamais se esquecerá dela e por mais anos que vivesse essa recordação estaria sempre presente ...

Felizmente, Isabella tinha ficado na capital na sede da Organização, não tinha ido para o campo de refugiados ... quantas vezes Pilar pensava que a sua debilidade emocional após o desaparecido de Gabriel poder-se-ia ter agravado com estas vivências, apesar deste voluntariado ter sido opção de Isabella para fugir , Pilar tinha prometido à mãe da sua amiga acompanhá-la e assim o fez ...

Mas o fantasma da guerra acompanhava-a e quantas noites passava acordada a pensar naquela menina que tinha morrido nos seus braços porque não havia um antibiótico ...

O mundo é mesmo cruel ...

 

publicado por Ennoea às 23:07
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Memórias de uma Guerra

 

(imagem retirada da net)

 

 

Pilar andava com vontade de ler mais uma carta, mas tinha percebido que Isabella o evitava.
Por isso algumas semanas se passaram antes que as duas amigas voltassem a mexer no tesouro, que tinham encontrado por acaso.
Uma caixa de cartão, cheia de vida, de emoções, de amor,desamor, felicidade, encontros e desencontros, traições e juras de amor eterno.
Isabella, também pensava varias vezes nas cartas, e uma noite, enquanto contavam a semana de trabalho uma á outra disse a Pilar:
- O que achas que devíamos fazer com estas cartas?
- Não sei, também tenho pensado nisso…
- Queres ler mais uma?
- Se prometeres que não choras, não gosto nada de te ver assim.. – respondeu Pilar a Isabella.

- Vou tentar.


Isabella abriu mais uma vez a caixa, os seus olhos brilharam, e o nervoso miudinho tomou conta dela.
Que iriam encontrar desta vez?
Enfiou a mão dentro da caixa, e teve uma surpresa:
- Pilar, nem acredito nisto que estou a ver…
- Então?
Isabella esticou a carta em direcção a amiga, era um envelope muito antigo, com selos de outro pais, cheirava a morte…sangue…guerra.
- Não é o que eu estou a pensar pois não??? – questionou Pilar.
- Acho que é, deixa-me ler...

 

  

Estimada  Maria da Luz.

 

Muito agradeço por me ter respondido, e acedido ao meu pedido de ser minha Madrinha...

Escrevo esta carta com o coração nas mãos... Por estes dias escapei por pouco a morte…
O nosso batalhão dirigia-se para fora do acampamento, quando sentimos que estávamos a cair numa emboscada.

Começaram a chover balas de todo o lado, o acampamento foi todo cercado, por nativos que não hesitavam em avançar a medida que íamos ficando mais fracos....
O barulho de tiroteio, as granadas, alguns gritos, um cheiro a morte terrível, a cada passo que dávamos deparamo-nos com alguém que nos era próximo, caído no meio do chão, senti-me impotente, só penso em sair daqui, pois sei que é quase certo ter o mesmo fim dos meus camaradas....
É impossível para mim descrever todo este ambiente, qualquer descrição que fizesse, não seria metade, do que realmente aqui se passa, é terrível...
Por favor, se receber esta carta, diga aos meus pais que por ora estou bem…
Se algum dia voltar ao meu pais, gostaria de a conhecer....
Obrigada pela sua amizade.


José António.


Pilar e Isabella ficaram apreensivas, sempre ouviram falar nas madrinhas de guerra, mas julgavam que era uma troca de cartas amorosas, entre soldados e raparigas solteiras...
Ali estava um relato vivo de uma guerra, que em tempos havia acontecido, cuja carta sobrevivera o tempo suficiente para ser encontrada por elas.

 

publicado por Raquel às 03:30
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Um pequena surpresa...

 

 

(imagem retirada da net)

 

Pilar percebera que a amiga se sentia infeliz.
Convidou alguns amigos, preparou um fondue de carnes, que Isabella adorava.
Quando Isabella colocou a chave na porta de casa para entrar, sentiu um cheiro inconfundível que vinha da cozinha.
Começou a sorrir e correu para Pilar, colocando-lhe os braços à volta do seu pescoço e disse-lhe:
-Sabes sempre como me levantar o ânimo, por isso gosto tanto de ti, mana.
- Deixa de ser lamechas, eu sei que farias o mesmo por mim – respondeu Pilar, dando-lhe um beijo repenicado.
Isabella ficou agradecida por este gesto, a amiga andava cheia de trabalho, no entanto não se poupou a esforços para lhe dar aquela alegria.
O jantar correu maravilhosamente, sentiam-se em família, apesar dos muitos quilómetros de distancia da sua terra.
Pilar adorava estes convívios, cedo ficou sozinha com a mãe, o pai partira em busca de fortuna, para outro continente e nunca mais voltou, nem deu noticias.
A sua mãe durante anos esperava que passasse o carteiro, corria em direcção ao portão, fazendo sempre a mesma pergunta:
- Traz alguma carta para mim?
- Só as do costume … - respondia o carteiro.
Com os anos foi perdendo a noção do tempo que tinha passado, havia dias em que Pilar simplesmente não a entendia, apesar de tudo, continuava a amar o marido, que a abandonou.

 

publicado por Raquel às 15:30
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Pesadelo

 

 

  

 (imagem retirada da net)

 

Desde o dia em que Gabriel desapareceu, como se tivesse sido engolido pela terra, que ninguém sabia nada dele.

Aos poucos Isabella, foi perdendo a alegria tão característica dela, o seu semblante era por vezes fechado, e só tinha um objectivo, encontrar ou saber o que se tinha passado com o homem que mais amou em toda a sua vida.

Chorava vezes sem conta a pensar nele, as vezes Pilar acordava com um grito que rompia o silêncio da noite, era mais um dos seus pesadelos, onde chegava a igreja e Gabriel não estava, este sonho horrível perseguia-a.

Isabella, carregava com ela a dor da dúvida, da ausência, sentia-se triste, desamparada e só pensava em ajudar os outros que assim como ela, mas de forma diferente enfrentavam algo que os derrotava.

Era como se sentia derrotada, por não poder viver a sua vida, com o homem que desejava.

Tantos planos, tanto amor.

As lágrimas caiam, Isabella questionava-se porque tinha de ser ela a passar esta prova tão difícil.

Pensou em falar a Pilar, e desistir de ler as cartas... ali encontrava tantas palavras que a faziam recordar Gabriel.

publicado por Raquel às 15:30
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Lembranças do coração

  

 

(Foto retirada da net)

  

 

Aquela leitura incomodou Pilar, mas Isabella estava de rastos ... a paixão, o amor, a dádiva .... sabia o que era, pois já tinha vivido um

amor assim ... em que ele daria a vida por ela e ela a vida por ele, como se fossem apenas uma pessoa, como se as suas almas fossem apenas uma ...

Pilar olhou novamente para a amiga e perguntou-lhe:

"- Queres que te faça um chá?"

"- Não, deixa estar isto passa!" - respondeu Isabella, baixinho.

Naquele momento tudo vinha à memória de Isabella, como se uma arca que estava fechada há anos tivesse explodido e atirado tudo para fora. Gabriel ... o seu grande e único amor ... tinha nome de arcanjo ... era um homem culto, lindo, meigo, cavalheiro, romântico  ... dos poucos que existem ... namoraram cinco anos e tudo estava bem ... nunca falhará a um encontro, sempre disponível, amigo ... amante ...era a sua alma gêmea e a seu lado era a mulher mais feliz do mundo ...

Decidiram casar ... encontraram a casa dos seus sonhos à beira-mar, decoraram-na a seu gosto, planearam os filhos ... tudo estava perfeito ... e marcaram a data do casamento!

Ela sentia-se a princesa de um conto de fadas que ia finalmente ficar eternamente com o seu principe encantado e seriam felizes ... para sempre!

No dia 03 de Julho estava um dia lindo, quente de Verão e Isabella sonhava com a hora de trocar as promessas e os votos com o seu amado. De manhã, ele ligou-lhe a dizer:

" - Até já, Amor! "

À hora marcada, Isabella chegou à Igreja acompanhada por seu pai e familiares, notou no rosto dos convidados de Gabriel que algo se passava . Tinha saído com eles de casa no seu automóvel para vir para a igreja mas não tinha chegado ao seu destino. Isabella ficou em pânico, entrou na igreja, aproximou-se do altar e ajoelhou-se. Pedia a Deus, rezava, orava para que nada tivesse acontecido a Gabriel ...mas nada ... passou uma hora, passaram duas, passarm três ... e nada ... ligaram para os hospitais, para a polícia ... e nada ...

até hoje ... passados três anos ... nunca mais nada se soube de Gabriel ....

Uma lágrima rolou no rosto de Isabella ...

 

 

 

 

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publicado por Ennoea às 17:36
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

O Amor não se diz ...

 

SOLTO PALAVRAS
 
(Foto retirada da net)
 
Aquela última carta tinha sido emocionante para mim, estava longe de casa, da minha Mãe mas o que valia era ter Isabella do meu lado, era a minha amiga de sempre, a minha “mana” e quando as coisas corriam menos bem, lá estava ela a dar-me um empurrão. Eu tinha a mania de me fazer forte, mas às vezes a minha fragilidade vinha à tona.
Naquele fim-de-semana, decidimos ir à praia, depois às compras e ir ao cinema há tanto prometido, adorávamos cinema, pena era não conseguirmos ir ver todos os filmes que iam saindo … culpa da profissão, mas sempre que podíamos lá íamos nós satisfazer o nosso apetite cinéfilo!
No sábado à noite distraída a fazer zapping pelos canais e a comer umas bolachitas de chocolate que tínhamos comprado na padaria perto de casa, Isabella confidenciou-me:
“- Sabes o que me apetece? “
“ – Sei lá! – respondi-lhe. Fazer um bolo de mármore ou uma tarte de frutos silvestres, não? A partir da meia-noite é que te apetece cozinhar!”
“ – Não! Há algo a chamar por nós … - disse.”
E lá apareceu ela com o caixote nas mãos com um sorriso que parecia uma criança com o seu brinquedo novo.
Retirou o envelope cuidadosamente como se de uma relíquia se tratasse. Abriu a carta e corou …. Exclamando:
“- Temos aqui hoje uma bela carta, amiga!”
 
“ Minha doce paixão,
 
Escrevo-te estas simples palavras que brotam da minha alma, pois meus lábios não conseguem proferi-las. Há sentimentos que ultrapassam o dizer, que ultrapassam tudo o que te posso falar, porque o Amor não se diz, o Amor sente-se e faz-se…
O que te posso dizer, meu Amor … que sem ti a minha vida não faz sentido, que sem ti o Sol não brilha, a Lua não ilumina a noite, que os pássaros não cantam, que nem sei quem eu sou … sem ti nada faz sentido porque Tu és a minha razão de ser, o motivo porque acordo todos os dias, o caminho que percorro, a luz que guia o meu olhar …
Como te posso dizer isto tudo? Palavras não bastam … por ti daria o meu corpo, a minha pele, o meu sangue e os meus ossos … por ti daria a minha vida porque tu és a minha vida e a vida em mim …
E quando olho o teu rosto, quando vislumbro o teu olhar … tudo desaparece … o mundo, as outras pessoas … só tu existes … sou levado para o plano mais irreal possível, para a comunhão do indizível, para a união ancestral … e quando toco no teu corpo penso que sou tão pequeno e tu és um Anjo… e o céu se abre, o infinito surge e a Felicidade acontece …
Que te posso dizer, minha doce paixão?
Somente que sou teu, entregue aqui de corpo e alma, para toda a eternidade.
 
 
Rodrigo”
publicado por Ennoea às 15:30
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Descobrindo a Pilar...

 

 

 Metade de mim é AMOR...

 

(Foto retirada da net)

 

Pilar respirou fundo, levantou-se do sofá e dirigiu-se á janela, percebi que chorava.

Ela que se fazia de forte em todas as circunstâncias... agora com estas emoções descritas em simples cartas, via a minha amiga a enfraquecer, a deitar por terra fortalezas que ela construiu ao longo dos tempos.

A saudade da familia, quando estamos distantes, consegue ser perturbadora.

Sempre foi muito agarrada á Mãe, desde que começamos a estudar longe de casa, várias vezes a surpreendi a chorar, de saudades, eu também as tinha, mas evitava lembrar-me, ocupava-me com as minhas actividades, com a minha profissão, o resto guardava para mim, e para o meu travesseiro, que era um bom conselheiro, assim como Pilar, que tinha sempre a resposta e a solução certa para tudo.

Sempre a admirei, e agora que vivíamos juntas e partilhávamos a nossa vida e a nossa profissão, ainda admirava mais.

Não me imaginava a passar por tudo isto sem ela, era a minha força, o meu pilar!

 

publicado por Raquel às 03:30
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Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Menino homem...

 

 

menino feito homem

 

(Foto retirada da net)

 

Chegou o dia, que para nós começava a ser um ritual... o de abertura de mais uma carta.

Olhávamos uma para a outra...a ver quem seria desta vez a ler.

A Pilar não se fez de rogada...e agarrou num envelope que estava mesmo na parte de cima da caixa.

Abriu-o e como uma pena a flutuar, saiu lá de dentro uma foto.

Talvez fosse de quem a escrevia, era o mais certo, pensamos.

Eu fiquei a olha-la por uns segundos... contemplei aquele rosto, sem saber o que viria a seguir.

Pilar, colocou a voz, como andava a aprender nas suas aulas de canto, e começou :

 

 

 

Querida Mãe,

 

Desejo que ao receberes esta carta, o teu coração fique mais tranquilo.

Sai da casa do pai, tinhas razão, como sempre, já tinhas sido enganada por ele, e fez o mesmo comigo.

Quando comecei a trabalhar, correu tudo bem, durante os primeiros tempos.

Quando recebi o primeiro ordenado, ficou com metade, começou a ser rotina.

De inicio não reclamei, quis aproveitar para o conhecer melhor, foram tantos anos de ausência, de falta de convívio, tentei dar-lhe o beneficio da dúvida.

A situação manteve-se e tentei arranjar uma solução... mal eu sabia o que iria acontecer.

Falei com a companheira dele, houve uma grande discussão entre ambos e o pai pôs-me na rua.

Mãe, escrevo estas linhas a chorar, nunca pensei, que isto fosse possível...mas ajudou-me a crescer e a tornar-me no homem que hoje sou.

Durante algum tempo, dormi debaixo do carro dele, chegava do trabalho e adormecia, para de manhã me levantar bem cedo, antes que alguém saísse de casa.

Passei fome e frio, a noite de Natal desse ano, foi passada a pensar em ti e na nossa família, só assim consegui suportar o frio que fazia.

Conheci a Clara, os pais dela acolheram-me como a um filho, trataram de mim, das minhas feridas, as visíveis e as da alma.

Vamos casar brevemente, adorava que estivessem todos presentes.

Estou feliz Mãe, nunca me esqueci de ti , nem da nossa família.

Amo-vos a todos.

 

Com saudades,

 

 

João Ricardo

 

 

 

 

publicado por Raquel às 18:25
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Semana atribulada ...

Two women

(Foto retirada da net)

 

Depois daquela leitura emocionante, tivemos ambas uma semana demasiado atribulada. Com uma profissão desgastante como a nossa, de muita responsabilidade e tensão quase nem tivemos tempo de respirar, com turnos desencontrados eu e a Isabella mal nos víamos ... quando ela saía eu entrava, quando ela entrava eu saía ... depois mais a hidroginástica, o cardiofitness e as aulas de canto ... uma correria ...  nem olhávamos para a tal caixa ... aliás para nós ela representava um tesouro ... como aqueles que se descobrem no fundo dos mares cheios de ouro, prata e pedras preciosas ... tínhamos, no entanto, feito uma pequena promessa ... ler as cartas juntas e essa promessa tinha de ser cumprida mesmo que a nossa curiosidade de mulher nos aguçasse o apetite ... promessa é para cumprir ... mas já tínhamos olhado para a escala e visto que no Domingo estaríamos as duas em casa ... e aí teríamos acesso a mais um dos segredos que essas cartas continham ...

 

publicado por Ennoea às 03:30
editado por Raquel em 16/06/2008 às 23:06
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Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Uma amizade especial

look at me......

(Foto retirada da net)

 

 

 

Eu e Isabella tínhamos ficado emocionadas com aquela carta, como estaria aquela mãe ao pensar que a filha a tinha ignorado, enquanto na verdade ela apenas a não tinha recebido. E a filha, a julgar que a mãe a tinha esquecido, realmente "Uma mãe nunca esquece", mesmo que tenha tido 10 ou 15 filhos. Nós não éramos mães, mas sabíamos as saudades que as nossas mães tinham de nós e as lembranças que assolavam as nossas almas quando recordávamos o aconchego das nossas mães, da nossas vila, dos nossos lares. Mas tínhamos crescido, ganho asas e voado para uma grande cidade para nos dedicarmos à nossa profissão, mas a verdade é que não estávamos sozinhas, tínhamo-nos uma à outra, éramos amigas, mais do que isso "irmãs", tínhamos jurado em crianças nunca nos separar como se fossemos irmãs de verdade e até à altura tínhamos cumprido o nosso pacto. Nada nem ninguém nos separava, bem tinham tentado desfazer a nossa amizade inventando mentiras e intrigas, mas nós conhecíamo-nos bem demais e sabíamos que a outra não faria nem diria aquilo. A verdade é que ainda dávamos uma boa gargalhada à conta de tanto disparate. Não sabiam que a nossa amizade estava escrita nas estrelas.

Abraçámo-nos e dissemos: "Tem uma boa noite, mana! Amanhã é dia de trabalho e temos os nossos doentinhos à espera!"

Isabella foi-se deitar e eu encaminhei-me para o meu quarto a pensar qual seria a sensação, o sentimento de ser mãe?

publicado por Ennoea às 08:58
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